INTRODUÇÃO
Em
quase todos os pontos do mundo começa-se a redescobrir que, em termos
de arquitetura, o sal da terra ainda é a terra. Ou seja, o material primeiro
com o qual há muitos milênios o "homo sapiens" construiu
seu primeiro abrigo, recupera suas cartas de nobreza e promete mais uma vez
revolucionar a concepção de moradia.
A terra tem nobreza histórica. As reforçadas casas e igrejas
coloniais brasileiras foram feitas de taipa de pilão. Ainda há
hoje no mundo afora construções que datam de vários séculos
ou milênios. As primeiras formas de habitação no Egito,
na Mesopotânia ou na China datando de 9.000 A.C., usavam a terra como
matéria-prima. A própria muralha da China, símbolo de solidez,
é de taipa.
A desvalorização da terra como material construtivo remonta há
pouco mais de três séculos, quando a terra crua foi substituída
pelo tijolo cozido, posteriormente industrializado e promovido pela sociedade
industrial rica em energia (pois sua produção exige a queima de
madeira, energia fóssil ou eletricidade). A partir de então, a
casa de terra crua passou a significar habitação característica
dos menos favorecidos e, portanto, repudiada. Mas este quadro se alterou a partir
de 1973, quando a crise de energia, aliada a preocupações ecológicas
e à mudança de mentalidade dos escalões superiores das
sociedades desenvolvidas, fizeram com que a humanidade voltasse de novo os olhos
para a terra. A terra pode deixar de ser sinônimo de pobreza e desconforto,
para se tornar um material respeitado - condizente com a sociedade carente atual.
A construção com terra rompe a impessoalidade que caracteriza
as construções padronizadas das grandes metrópoles. O homem
finalmente pode reencontrar o prazer de construir sua casa ao sabor de seus
impulsos artísticos, de suas pulsações espirituais. As
paredes se modulam aos caprichos de toda ordem no material de construção,
com o qual forma um todo. Tudo é organicamente ligado ao conjunto arquitetural,
pois a unidade da matéria é soberana.
Além do conforto espiritual, pode-se assim dizer, a casa de terra
oferece ainda as vantagens de uma perfeita climatização, (inércia
térmica proporcionada por espessas paredes) atualmente só conseguida
por meios artificiais e onerosos.
Finalmente, há nessas construções o que poderia ser denominado
de conforto psíquico: a terra pura e ecológica, maternal e protetora,
familiar e aconchegante.
Trechos extraídos da matéria publicada na exposição:
"A Arte Milenar da Construção com Terra"- no Centro de Artes Georges
Pompidou, em Paris. Revista Geográfica Universal, nov. 82 - Texto de
Hélio Carneiro.
Grande parte da população mundial ainda constrói sua casa
usando a terra crua como matéria prima. De acordo com dados da HABITERRA,
na América Latina esta cifra ultrapassa os 200 milhões.
No entanto, desde o início da utilização do cimento, no
início do século e a agressividade comercial dos materiais ditos
modernos e de alto custo energético, o estudo cultural e científico
da terra foi abandonado.
O que é Criação e gestão de uma rede de comunicação entre instituições, empresas, indivíduos e interessados em geral na construção com terra.
Quem faz A ABCTerra, com a criação de quatro coordenadorias gerais: no campo do ensino básico, médio e superior; no campo dos estudos Científicos e Tecnológicos; no campo Cultural; na Educação Ambiental.
Como Fomentando, criando e gerindo programas de cooperação entre as quatro coordenadorias e atividades que sirvam de fator de integração entre os países da América Latina.
Quando Setembro de 2000 a Fevereiro de 2001 - Criaçãodos programas de Cooperação Fevereiro de 2001 a Setembro de 2001 - Gestão dos primeiros programas
Porque Grande parte da população mundial ainda constrói sua casa usando a terra crua como matéria-prima. A construção com Terra é uma tradição viva, é também fator de integração entre os povos. Mas é preciso lembrar que a cultura não é unicamenteuma herança do passado. Diante dos desafios do presente, das inovações, ela também tende a se renovar continuamente. Para isso, a ABCTerra se propõe identificar, sistematizar e atualizar as diferentes técnicas e usos da construção com terra para que possamos, através dos processos atuais, adaptá-las ao desafio proposto.
Diferenciais do Mercado Incentiva técnicas de construção que utilizam a terra crua como matéria-prima e difunde a idéia da reciclagem; Colabora com a diminuição do consumo de energia durante e depois da obra; promove a integração dos povos que se utilizam das técnicas de construção com terra.